Um cão abandona seu buraco de dormir
pronto para roçar as feridas expostas
nas pernas de transeuntes
com rostos-zumbis.
A cidade tem cheiro de crack,
cara de junk.
Há um cadáver guardado
no carrinho de supermercado.
Há um protótipo de humano
surfando no trem e um
rodízio de protozoários
nas saladas do fast-food.
Saio do hotel com meu michê
morto de fome.
Seu traje sexy é um
uniforme gasto de grife.
Durante o dia trabalha
num trapiche.
Á noite, dá duro.
e um arranjo de flores no asfalto
empapuçado de vômito.
Entro na lanchonete
e pago o combinado.
Desconto o preço da cerveja
e desapareço.
É só um dia a mais
dentro do mesmo.
(Para Renato Russo e Marcelo Marat)












1 Comentários:
Muito mais que chic, Tom! E sem dúvida daria uma ótima história em quadrinhos, ou mesmo um curta. Mas me contento com a dedicatória ao lado de Renato Russo. Essas coisas fazem a vida valer a pena...
Beijos!
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